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quinta-feira, 22 de abril de 2010

insônia e auto-reflexão.

Pois é... fazendo uma retrospectiva por todo o blog, a essa hora da madrugada, em uma noite que estou sendo atormentado por uma ferrenha insônia, resolvi deletar algumas coisas e velar pela permanência de outras. Não sei o que anda se passando, mas sinto uma necessidade enorme de acertar algumas coisas comigo mesmo, rever algumas das minhas posturas e ser mais tolerante com a diversidade. Será coisa da idade?
Bom, deve ser isso então. Sei que, repentinamente, vi que muita coisa que eu tinha escrito por aqui não eram realmente "meus escritos", mas de meus egos. E esses, com certeza, ando tentando conhecer melhor para cultivar aqueles que me farão evoluir cada vez mais e minar os ditos inferiores, que se contentam com pouca coisa. Hoje em dia já aceito o fato de que preciso usar o meu conhecimento, por mais limitado que seja, para ajudar outras pessoas, não para encerrá-lo em um culto narcisista. Na verdade, isso tem me ajudado muito e me fazendo perceber que escrever é uma grande responsabilidade. Bom dia a todos!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Epifania e Nova Consciência


Bom, para as virtuosas pessoas que tem a bondade de acompanhar esse blog, já dá para perceber, de cara, que aconteceram algumas mudanças por aqui. Não estou mais afim de defender uma suposta embriaguês literária, ligada a tradição da grande boemia decandestista, ilustrada por nomes como Byron, Baudelaire, Poe e do próprio Lima Barreto. Pois é, para mim, Bar das seqüelas, com trema, remete a isso. A propósito, depois de toda essa piada de mau gosto que foi a reforma ortográfica do idioma português, Portugal lançou uma nova gramática prezando, mais que nunca, pelas normas cultas da língua que foi a pátria de Fernando Pessoa. Por isso, para mim, mais que nunca, essas novas normas devem ser sabotadas e ignoradas. Usem tremas e hífens a vontade e acento em "idéia", e, quem sabe, assim, vocês estarão fazendo algo de útil pelas suas vidas.
A idéia é que um bar, mesmo que literário, tem muito pouco a oferecer as pessoas. Lugar para velhos egos falidos, os quais estou evitando a todo custo. Aì é que entra a idéia de que pensar, por sí só, já é uma dádiva. E mais ainda, quando se pode ter acesso e dominar as formas clandestinas de se pensar, mas cuidado para não confundir "pensar clandestinamente" com toda sorte de blasfêmias, baixarias, medíocridades, etc. Não se trata disso. Se trata de elevar o pensar até recônditos poucos explorados e que cujos caminhos são concebidos como perigosos e proibidos pelas formas de se pensar tradicionais.
Falando nisso, nesse carnaval fiquei novamente para a Nova Consciência e fiquei muito contente com a organização desse ano. Apesar da falta de investimento do governo estadual, que manda gordas sinecuras para a Consciência Cristã, por ser mais lucrativa em matéria de eleitores, a Nova Consciência superou minhas expectativas com bandas da Bélgica e do México e com uma série de palestras bem postas. Aproveitei para assistir a fala e conversar com o pessoal do Santo Daime e creio que essa religião brasileira, surgida no seio da Amazônia, tem muito a ensinar a nós, seres urbanos e tão desprovidos de espiritualidade. Não se trata de um grupo de pessoas que são afeitos a viagens psicodélicas, vou logo advertindo. Quem procurar essa religião que mescla os desígnios do cristianismo com o xamânismo nesse intuito superficial estará perdendo tempo. Fiz muitas besteiras ao longo da vida, as quais me arrependo, inclusive, com pessoas que tinha em estima, mas espero que essa nova busca me mostre como acessar os caminhos de uma cura pessoal.
Sim, aproveitei também para concluir minha dissertação. Em breve, divulgo a chamada para a defesa por aqui também, afinal, não tem nada de errado em querer se promover, não é mesmo? Fui muito criticado por isso na graduação, mas, as vezes, isso faz parte de um longo aprendizado. No mais, leitores e leitoras, bem vindos a uma nova face desse blog. Até breve!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

De volta ao gabinete

Final das férias... voltei renovado delas, pois aproveitei para fazer coisas que realmente gosto: viajar; cozinhar; ler muito Bukowski e Lima Barreto e, logicamente, namorar. Desfrutei de toda a hospitalidade sertaneja na cidade de Princesa Isabel e conheci a fria e aconchegante cidade de Triunfo, em Pernambuco. Inclusive, em uma noite calourenta por lá, como estavam reclamando o pessoal, o termomêtro marcava 17 graus! Mal posso esperar para retornar em julho, época em que acontece o festival de inverno da cidade.
Em Princesa Isabel aproveitei para fazer pizzas, lazanhas, sopas... e em troca, meus estimados anfitriões me serviram muitos pirões e pratos apreciados no lugar como o famoso angú de milho, que tem suas origens ligadas ao passado escravagista. Trata-se de uma cidade progressista, rica em História e que abriga pessoas de coração bastante generoso. Realmente, há tempos que eu não desfrutava de tanta hospitalidade. Sobretudo, me diverti muito.
Voltando ao mundo real (e eu sei que você detesta essa expresão ;^D), preciso mesmo dar uma adiantada nas minhas leituras e na escrita de uma certa dissertação. Quero entregar tudo em fevereiro e, finalmente, defender esse trabalho em março. Se bem que, depois de um começo de janeiro inspirante desse, tudo parece estar mais fácil.


Teatro Guarani, em Triunfo, Pe.




Igreja Matriz de Princesa Isabel

segunda-feira, 24 de agosto de 2009



Aos olhos da saudade como o mundo é pequeno. Esse post eu dedico a tí, que me cativou com sua calma, gentileza, generosidade e humor desconcertante. Leitora de Sade e de todos grandes mestres da literatura clandestina; Pagú de uma timidez ousada e de arrasantes olhos cor de flora.

quinta-feira, 30 de julho de 2009



Aquila non captat muscas.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Sitrans de Campina Grande versus mestrandos e doutorandos



Campina Grande tem mania de metrópole, tem mania de grandeza a começar pelo nome... Campina tem mania de megalomania. Mas não importa, sempre será uma província. Uma província cujas elites não passam de caboclos querendo ser ingleses, como já cantava nos perdidos anos 90, aquele mauricinho desafinado, metido a poeta e a politizado chamado Cazuza.Campina é uma província na qual se faz de tudo para que o jogo continue de cartas marcadas, mesmo que seja através de concursos, eleições, debates e qualquer outra prática que se tenha como democrática.
Uma das coisas na cidade que me deixa profundamente incomodado é a questão do monopólio no transporte público exercido por certas empresas ligadas a partidos e grupilhos políticos locais. O Sindicato de TRansportes Públicos de Campina Grande, o SITRANS, tem mania de tratar os estudantes da cidade como gado. Isso mesmo, não existe outra definição ou caracterização para o tratamento que dão a quem precisa ir até a sede de tão grandiosa instituição para ter garantido seu direito básico a meia passagem nos ônibus. O setor de atendimento ao público fica no primeiro andar e, ontém, cheguei a ficar UMA HORA E MEIA na fila esperando atendimento, em uma sala que fazia um calor infernal. Os 3 patéticos ventiladores que eles colocam para arejar o local não serve nem pra disfarçar o mormaço e a catinga de suor que as pessoas começam a emanar quando se passa mais de cinco minutos ali dentro. O tamanho do absurdo é grande: ontém quando eu estava lá, uma menina desmaiou e foi retirada por outras pessoas para ser atendida do lado de fora, tamanho era o calor lá dentro.
Se alguma parte dos lucros desse aumento absurdo que houve de 1,70 na tarifa urbana, em uma cidade do tamanho de um ovo é abusurdo, fosse usado em forma de retorno no atendimento público, isso poderia ser evitado. Mas que retorno ao público que nada... Anchieta Bernardino tem coisas mais importantes pra se preocupar, como por exemplo, negar o direito a meia passagem de uma parcela dos estudantes que seriam aqueles que estão na pós-graduação.
Pois é, para o sapiente chefe do SITRANS, os pós-graduandos não são estudantes. Eu poderia dizer que as pessoas, no geral, são estudantes a vida toda, talvez não pessoas como ele, claro. Mas isso é outra história. Segundo o DCE da UFCG, estão sendo feitas negociações entre a instituição dos estudantes e a dos vampiros, ops... quer dizer, sindicalistas. Nesse ínterim, como mestrando não tenho direito a me locomover pela cidade com a meia passagem. Espero que meus 1,70 estejam, pelo menos, servindo pra complementar o whiske dos empresários de transportes que financiaram a campanha do prefeito e do superintendente do SITRANS, já que pra manter de pé este absurdo é capaz até de articular conspirações nefastas com o PROCON. Eu só digo uma coisa: vai gostar de 1,70 assim na casa do satanás, infeliz!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Mais uma epidemia...


Que muitas pessoas se assemelham aos porcos, isso todo mundo sabe. Sejam pela estética, ou pela própria constituição do cárater vil, lamacento e sujo. Agora ficar doente a partir de uma doença de porcos é novidade. O que mais me preocupa é que a epidemia começa justamente na zona de fronteira entre Estados Unidos e México, zona desertificada na qual é bastante propícia para instalações militares e científicas que trabalham de forma obscura.
Na verdade, os norte-americanos tem uma vasto currículo de atividades duvidosas de caça a vírus letais que afirmam serem feitas com base apenas em princípios científicos. A pesquisadora canadense Kirsty Duncan liderou, em 1997, uma equipe de pesquisadores para encontrarem exemplares congelados da gripe espanhola, em cadáveres, que estavam enterrados em uma ilha gelada da Noruega. Em 1919, essa epidemia chegou a matar 20 milhões de pessoas, entre as quais o presidente do Brasil Rodrigues Alves. O material que foi coletado nos cadáveres, as amostras, foram mandandas para laboratórios secretos na Inglaterra e nos Estados Unidos.
Também não é novidade a ligação dos Estados UNidos com o desenvolvimento do vírus da AIDS, que seria, a princípio, usado como arma biológica, mas também deveria servir para intimidar e inibir os homossexuais. O continente africano parece ser um dos territórios preferidos dos norte-americanos para testarem essas novas epidemias. O próprio virus Ebola, capaz de transformar as entranhas de um ser humano em uma pasta de sangue, em algumas horas, também manifestou-e primeiramente por lá. A questão é que o Ebola é um vírus potencializado, isto é, submetido a um processo de mutação genética, para ter um efeito mais devastador. Aí é só ligar os fatos... Que país do mundo vem manipulando, coletando vírus e instalando bases na África, através de fachadas?
No caso da gripe suína, que é um microorganismo que quando se encontra no porco não causa "gripe" ao animal, por que diabos essa coisa vai achar justamente de sair de seu hospedeiro natural para invadir o corpo dos seres humanos, se nunca teve estrutura genética para isso? A maior dificuldade em se controlar e tratar a doença é que o vírus sofre mutações rapidamente. Mais um indício de que se trata de uma doença de laboratório, algo que, se não está sendo disseminado propositalmente, escapou dos laboratórios norte-americanos. Não é a toa que ficou agendado para 1999, através de uma convenção, a destruição de exemplares do vírus da varíola que estavam em poder dos Estados Unidos e da Rússia.
Posso ter ao menos o luxo de especular sobre as razões e as origens dessa epidemia que está causando um grande clima de histeria entre as pessoas. Talvez digam até que sou adepto do método paranóico hipercrítico de Salvador Dali, mas através de um raciocínio lógico, recorrendo ao histórico de envolvimento dos Estados Unidos com armas biológicas, basta ir montando as peça do quebra-cabeça. A questão é o seguinte: a essa porcaria de gripe, não tem rock n´roll, feijoada e muito menos espiríto de porco que resista.

domingo, 29 de março de 2009

O escafandro, a borboleta, o cigarro e o vagalume



Depois de assistir o filme "O escafandro e a borboleta", baseado na vida e no próprio romance escrito por Dominique Bauby, editor da revista Elle, na França,estou tentando parar de fumar os cigarros industriais. Não que eu queira viver para sempre, claro, como a linda mulher do Rob Zombie, interpretando uma sádica degenerada em Rejeitados pelo Diabo, ironiza uma das suas vítimas que se recusa a aceitar um cigarro oferecido por ela. Mas depois de assistir ao filme que é baseado nas memórias de Bauby já começo a me preocupar como essa minha caminhada vai findar.
Boêmio declarado, Bauby termina seus dias em uma cama, podendo mexer apenas 1 olho, embora sua mente permaneça funcionando perfeitamente, justamente, como se seu corpo estivesse dentro de um escafandro do qual ele apenas observa o que as pessoas fazem ao seu redor. Como a vontade de se comunicar é, realmente, redentora e com a ajuda de uma paciente secretária, consegue escrever o romance auto-biográfico, que foi sucesso entre a crítica e inspirou o filme, através de piscadas de olho. A questão é que terminar os dias como um bebezão, tendo de estar sendo limpado pelos outros ou sem ter consciência do que se passa ao redor não deve ser a coisa mais legal do mundo. Já experimentei coisa parecida por alguns dias, quando quebrei a minha perna e fiquei 3 dias imobilizado e uns 2 meses de cama. Foi um inferno... imagina passar anos assim.



Por essas e outras, como os fumantes estão inseridos em um grupo de risco favorável a derrames e que Bauby fazia parte, estou parando... foram bons momentos ao lado desses verdadeiros sargentinhos da morte, os quais tem momentos que a gente pensa que eles é que são nossos verdadeiros amigos, por estarem sempre disponíveis quando precisamos e embalados em caixas que transmitem muito glamour e poder. Já estou com saudades dos malditos canudinhos de câncer, mas estou vendo que sustentar a vaidade de ser um fumante tem um preço alto e que, deveras, estou mais disposto a viver do que pagar essa conta.
Agora uma coisa engraçada aconteceu essa semana que é digna de nota. Estava assistindo, no meu quarto, o filme "diversão macabra", um trash movie de gosto duvidável, quando uma pequena luz começa a circular pelo meu quarto. "Pronto, era só o que me faltava", pensei, aí acendi a lâmpada do quarto para constatar que diabos era aquilo. Tratava-se de um pequeno vagalume... fazia muito tempo que eu tinha visto um de perto, assim. Muito tempo mesmo, porque vagalumes são parte das minhas lembranças de criança, quando passava o tempo caçando eles e os aprisionando em vidros de maionese, quando passava as férias no sítio de meu avô. Valeu o susto que tive e as recordações!

terça-feira, 24 de março de 2009

Dá-lhe Brasil!



Eu poderia fazer um post só para registrar o quanto fiquei contente ao saber que foi mesmo confirmada a participação dos cariocas da banda Matanza no Abril Pró-rock de 2009, para abrir o show da Motorhead. Eu diria que fiquei mais que contente vendo a informação no site do evento, porque a sensação que estou é a que um sonho prestes a se realizar e melhor que isso é fazer parte da mobibilização da old guard de João Pessoa (velhos amigos que nem sempre posso visitar) para nos encontrarmos no show, colocar os papos em dia e tomar todas. Porém, essa semana algo absurdo aconteceu e foi divulgado em cadeia nacional e acho que é algo sério, que merece ser comentado.

"A professora Glaucia Teresinha Souza da Silva, 25 anos foi agredida por uma aluna da Escola Estadual de Ensino Fundamental Bahia, da Capital e foi internada no hospital local com traumatismo craniano. A discussão teria sido motivada por indisciplina da aluna. A agressão ocorreu quando a professora foi até a sala de aula da estudante da 8ª série para buscar a aluna e levá-la à direção, após um desentendimento entre as duas. A adolescente alega ter sido ofendida e admite ter empurrado a professora, que bateu a cabeça na parede, desmaiou e foi encaminhada ao HPS". (http://zerohora.clicrbs.com.br)

Vejam bem... essa semana substitui uma colega que precisava se ausentar da sala de aula por um dia em uma escola particular aqui da cidade. Fiquei estarrecido com o clima de imbecilidade e de mediocridade que impera entre os alunos na sala de aula. Posso resumir que minha grande experiência como "educador" se resumiu a intimidar, para estabelecer o mínimo de ordem na sala de aula, meia dúzia de mauricinhos mimados que acham que porque o papai paga a escola, tem o direito de tirar onda da cara do professor. Deifnitivamente, a universidade não prepara a gente para isso. Não prepara para sermos vítimas de agressões, nem para lidar com marginais da pior estirpe ou com imbecis precoces. Tive muita vontade de, em certos momentos, ter disponível a boa e velha palmatória... Sinceramente, teria sido uma experiência bem mais válida como professor.
O pior é que eu achava, como tinha tido uma experiência até legal como professor de escola pública, que na escola particular iria ser melhor ainda, em se tratando de pessoas que deveriam corresponder, se dedicando as aulas, aos esforços dos pais em custear-lhes os estudos. Mas na escola pública, as pessoas são mais tranquilas, porque muitas vindo de origens sociais humildes, se esforçam, se agarram aquelas aulas como se fosse mesmo algo que lhes vai proporcionar mais oportunidades de melhorarem de vida. Na escola particular, ocorre o contrário... A diretoria, por querer manter seus cofres cheios, acoberta toda canalhice dos alunos e estes, bem adaptados com a mentalidade pequeno-burguesa de que o dinheiro compra tudo, em sua grande maioria fazem questão de testar os limites psicológicos do professor, como quem diz: "sou eu que pago mesmo".
No caso dessa aberração da Bahia, a quem não vale nem a pena chamar de aluna, ela já está assistindo aulas novamente na mesma escola. No mínimo, deveria estar prestando serviços comunitários e indo ver um psiquiatra regularmente, porque uma pessoa dessa, apesar da pouca idade, só pode ser doente mental. No caso, dos imbecis mimadinhos das escolas particulares o que digo é que vão ter que achar outro pra encher o saco. Como lhes disse em sala de aula, não passei 6 anos da minha vida para ficar tendo meus limites testados por cinco ou seis bucefálos masturbadores. E pensar que é a essa geração idiota, burra e asquerosa que chamam de "futuro do BRasil"... Nossa, é, realmente, um futuro bem promissor.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

As velhas da nova consciência



BOm, que a Nova Consciência estava a cada versão indo para o fundo do poço todos já sabiam, ou já esperavam. E isso aconteceu justamente pela infiltração de ideias (sem acento, de acordo com a nova gramática), influências e práticas conservadoras relativas a política do Estado e do município em um evento que deveria estar, pela própria proposta "alternativa", o mais distante possível dessas tendências.
No caso das atrações musicais, tudo foi por água abaixo devido a cassação do príncipe encantado de Campina Grande, nosso Robin Cunha Lima, que rouba dos pobres para dar aos ricos. Tudo bem... Não vou entrar no mérito da questão. Entra em seu lugar um pior ainda, filhote da ditadura, tão perseguidor quanto o príncipe e, sobretudo, ignorante. Agora também tem uma coisa sobre essas atrações... não dá para variar um pouco não? E não venham com essa de "é um evento de proposta alternativa", "as bandas tem que se encaixarem na proposta do evento"... se encaixar na proposta do evento ou nos interesses e na panelinha da "brodagem" de quem está por trás da articulação da parte musical do evento?! Éis aí que merece ser posto em questão... justamente, por ser um evento, dito alternativo, deveria abrir espaço para a diversidade e bandas realmente alternativas, undergrounds. Primeiro sintoma da decadência da Nova Consciência: apadrinhamento.
O Jorge Elô, na sua coluna no Paraíba On Line, já deu uns toques interessantes sobre essa questão. Mais um sintoma de apadrinhamento são os palestrantes e convidados... tem de ser sempre as mesmas pessoas? Os mesmos cânones? Por ser um evento alternativo, não deveria estar sempre mudando os debates e trazendo novidades para chamar a atenção das pessoas?. Na verdade, nunca fui fã dessas palestras. Uma vez, entrei no Teatro Severino Cabral, com um amigo, para assistir a uma palestra e o cara começou a dar sermão sobre todos os malefícios do álcool (detesto isso). Falei ao meu amigo: "não seria melhor sairmos daqui e ir tomar uma cerveja?", e ele respondeu: "claro, claro...". Assim, de tão ecumênico e alternativo, a Nova Consciência irá acabando Nova Consciência Cristã ou Nova Consciência Regional.
Para quem pensa em vir a Nova Consciência ou ficar na cidade para acompanhá-lo, aconselho a desistir. Do jeito que as coisas estão, é melhor procurar uma praia para encher a cara de run com coca, ficar com a pele escamada, comer galeto com farofa e ser atingido por bombas de maizena. Isso sim, está bastante alternativo diante da apatia e reino de tramas políticas que se tornou a Nova Consciência.
Mesmo ficando em Campina Grande, aproveitei o carnaval para namorar muito. O que é muito bom, pois quem danado vai se importar com palestras e meia dúzia de hare krishna´s, enquanto toma uma saborosa cerveja, na varanda, agasalhado e abraçado com uma mulher de verdade, curtindo uma deliciosa chuva que caia lá fora? Mas, mesmo assim, pensei na situação de quem viajou para cá ou depositou grandes expectativas para o evento. Fica aqui registrado: nunca mais passo um carnaval em Campina Grande, nem se depender de uma Ultra Nova Consciência, Encontro da Consciência Inquisitorial ou Encontro dos Salvos em Belzebu.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

De volta a realidade (?) ...



Fim de férias... Não tem mais como correr do leão, ou no meu caso, do crivo de uma banca de mestrado. Será 1 ano para, no dizer do outro lá, gestar uma história e tê-la através de um parto díficil. Mas que fique bem claro que será um parto mental. Por essas e outras, nunca fui muito chegado nessas metáforas pós-modernas ou títulos de trabalhos muito engomadinhos.
Então, hoje pela manhã quando peguei uma moto-táxi para ir deixar os artigos pendentes das 3 últimas disciplinas que paguei, o tempo começou a fechar. "Deveria ir pegar minha jaqueta", pensei. Mas aí, coloquei a papelada dentro de uma pasta de plástico e sai apressado, esquecendo da bendita jaqueta. No meio do caminho pra faculdade, cai o maior toró, obrigando o moto-taxista a encostar sua moto pra gente se abrigar debaixo de uma laje de mercearia. Comecei a puxar assunto, para ser amigável e falando sobre as vantagens e desvantagens em se ser motoqueiro, larguei logo a deixa: "E aí? Já sofreu algum acidente?" e o cara: "Ah, sim. Quebrei meu dedo", foi falando isso enquanto me mostrava seu dedo indicador que tinha sinais visíveis de fratura. "Pois é. Eu quebrei meu fêmur já, mas não foi em acidente de moto... foi em uma queda de escadas no prédio que moro". Fez-se um silêncio mórbido... As vezes, acho que ninguém dá muito crédito a essa história, rs. Continuamos falando sobre motores, cilindradas e sobre motoristas de carro que agem como filhos da puta em relação aos motoqueiros.
A chuva deu uma estiada... cheguei na universidade e fui deixar lá no departamento todas as quase 50 laudas de inutilidades, somando os 3 artigos, em que consiste pra mim aquele monte de papel escrito. Aproveitei para passar na coordenação do CH para pegar um certificado que eles estavam me devendo... "Mais papel inútil pra minha coleção, pensei". Que saudade da minha ingenuidade nos tempos de graduação. Achava que estudando os feitos e idéias de meia dúzia de traças de livro iria mudar o mundo e resolver todos meus problemas, mas a realidade é que esse conhecimento, dito acadêmico, só tem uma finalidade: possibilitar nossa ascensão a um cargo de docência em alguma universidade e, assim, ser transformado em dinheiro. Nada contra isso, claro, pelo contrário. Afinal, se médicos, engenheiros, advogados, ganham tão bem, porquê os professores não podem ganhar grana com o que fazem também?. A única advertência que faço para os (as) mais afoitos (as), que estão ainda bem empolgadinhos (as), é que não disperdicem muito tempo, a genitalia e o esplendor da juventude em bibliotecas ou vão acabar como a criatura que ilustra esse post.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Adeus 2008! 2009... Te saúdo!



2008, em um âmbito geral, foi muito generoso comigo. Cada dia que passo fico sem acreditar que tantas coisas boas tenham acontecido em tão pouco espaço de tempo. Passar no meu mestrado em História que era uma meta que sonhava em cumprir desde o segundo ano da graduação, foi sem dúvida, uma das coisas mais compensadoras que me aconteceram. O reconhecimento dos colegas, os debates, o surgimento de novas amizades e possibilidades, a confiança que meu orientador (uma pessoa que admiro demais) tem depositado em mim, as horas dedicadas a escrita e a leitura e recheadas de café são algumas das coisas que funcionam como combustível para mim. Penso de acordo com Lima Barreto e creio que a única crítica que me incomoda é o silêncio. Ter sido alvo de polêmicas ou de incursões maldosas neste espaço de expressão de idéias também me lisonjeia, na maioria das vezes.
Também conheci pessoas que espero ter bastante contato e passar bons momentos. Uma palavra escrita tem muito poder, sobretudo as que, de uma forma mais indireta, do que direta, nos dizem respeito, porque estão interligadas com uma vivência em comum. Uma simples palavra que li, ainda por cima acompanhada de um sinal que simboliza erro de escrita, quando relacionada a uma vivência, como se essa troca de individualidades é que merecesse ser apagada do corpo escrito que é nossa vida, me impactou profundamente. Amei em 2008 e carrego comigo boas lembranças de uma relação que se por vezes me confundiu, me deixou vulnerável e contribuiu para que eu delimitasse bem o que eu quero para minha vida, e decidamente, o que não quero também, me rendeu momentos inesquecíveis de cumplicidade e entrega. É fácil demais agir como se fosse tudo em vão. Como disse, encaro tudo como uma busca... somos seres buscantes, não apenas de amor, de intelecto, mas de prazer, satisfação, arte, alegria, desejo, autonomia, etc. Mas também, como diz uma música da banda "Velhas virgens" em consonância com o que sempre me diz um grande amigo: O mundo não para de girar/ e até o diabo pode recomeçar. Estou em minha busca, recomeçando também, com as mãos calejadas de tatear no escuro, mas muito ciente de que se uma proximidade traz cada vez mais distância, é porque nada é para sempre. E quanto a mim, bem... eu não quero ser um problema para ninguém, Quero mais é uma gatinha em 2009 pra pegarmos a estrada e curtir muito!
Também em 2008 foi esplêndido, depois de quase 3 anos e 11 pinos e uma placa fixadora no fêmur, voltar com todo gás a tocar bateria. Para mim, comparecer as manhãs de sábado aos ensaios e tocar até ao meio dia era libertador demais, intenso, pura energia, era, enfim, rock n´roll. Fazer parte da Richter Band, com Ricardo, Sólon e Bené, apesar das discussões que me levaram a sair da banda, por divergências quanto aos rumos sonoros da banda, foi muito bom. Agora estou muito empolgado com a volta da antiga Diesel Club, primeira banda que ensaiei quando cheguei em Campina Grande. Com alguns acertos na formação, formamos a Diesel Fire e se antes, eu estava no baixo, passei para a batera, minha verdadeira praia, com influências da Ac/Dc, Motorhead, Hellacopters e Rolling Stones. Vamos lá, playing rock n´hell! Outra coisa muito legal que deu para fazer esse ano, mesmo com a perna com mais platina do que dupla sertaneja, foi jogar uma partidinha de futebol com primos que eu não via há anos e meu cunhado, o Fábio. Rá!
2008 foi marcado por ritmos intensos e belas imagens cinematográficas.Gostaria de lembrar que foi nesse ano que escutei os albúns Motorizer, do Motorhead até quase furar o cd e o Black Ice, da Ac/Dc. Em termos de filmes, me deletei com Batman: o cavaleiro das trevas, Hulk 2, Iron Man, Spider Man 3, Onde os fracos não tem vez e Perdita Durango, que foi lançado bem antes, mas conta com o Javier Barden em um papel que faz parecer o psicopata de Onde os fracos não tem vez uma mocinha, eheheheh. Não poderia deixar de citar os shows do Matanza e Forgotten Boys, que foram, definitivamente, bons demais. No caso do show do Forgotten Boys, tirando o espetaculozinho de medíocridade dado por um idiota metido a merda, que veio fazer macaquices para meu lado, foi bom! Tenho que ponderar que retardados querendo chamar a atenção de todo mundo fazendo merda, só pra depois poder te ligar e dizer: "desculpa aí, eu tava muito doido", só faltou o "Dã!", é o que mais tem por aí. Pois, como diz a letra do Matanza: "Nada mal para um boçal, retardado mental e infeliz/ (...) Muito bem, você tem o talento que faz de você tão proeminente panaca/ dos que que não são comuns de se ver/ (...) enquanto você fica aí arrumando tumulto/ eu vou me aperfeiçoando na arte do insulto". Valeu a pena esperar 1 ano para ver Chuck Hipolyto & Cia novamente.
Espero que em 2009 muitas e muitas coisas aconteçam nessa mesma intensidade. Inclusive, Creio que vai ser assim, pois Wagner e Raiff acabam de passar por aqui, chamando para ensaiar e falaram que querem fazer um ensaio aberto na rua durante o Reveillon. É colocar a parafernalia na rua, ligar os amplificadores e som na caixa! Tudo regado a cerveja, claro. Passar um reveillon tirando um som, quem diria... Sei que 2009 promete! Inclusive, deste ano, adquirir minha Dafra Kansas preta já é uma prioridade, além de claro, ir aos shows do Motorhead, Metallica e Slayer, caso apareçam por aqui, embora Lemmy & Cia já tenham confirmado presença!



Você ser minha... não passa de 2009! rs

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Férias, até que enfim e duas ou três coisas que sei sobre Ginzburg



Férias, vacations, عطلة, vacaciones, vacanza,каникулы, Urlaub... Seja lá qual for a língua deve ser legal pronunciar essa palavra, principalmente quando ela se torna uma realidade tangível. Depois de 1 ano de neuras, a primeira etapa do mestrado terminou e tirando dois artigos e 1 projeto pra ser entregue em fevereiro, coisa que tirarei de letra, tudo segue muito bem. Claro, tirando também o encerramento do mestrado, dado por um famoso historiador, que na minha opinião deferiu opiniões bastante incoerentes e errôneas sobre a produção intelectual do Carlo Ginzburg, autor que, das duas uma: ou ele desconhece completamente ou fez uma leitura silenciadora. Ao menos, contestei sua leitura e esse momento, valeu por ter ficado ali, cerca de duas horas, aguentando escutar, em muitas passagens, verdadeiros absurdos teóricos.
Algumas dicas para quem quer se arriscar a ler Ginzburg, para que, por favor, não saiam propagando as equivocadas opiniões do pós-moderno mor da historiografia brasileira:
1. O fato de O queijo e os vermes: o cotidiano e as idéias de um moleiro perseguido pela inquisição ter vendido no mundo todo e ter uma crítica no prefácio a Foucault não invalida essa obra, alicerçada em uma excelente escrita e pesquisa criteriosa, que muito tem a ensinar aos historiadores contemporâneos, mesmo quase 30 anos depois de sua primeira publicação... se for por isso, para usar uma expressão cara a François Dosse, Foucault também vende como pãezinhos.
2. Ao contrário do que disse o grande professor, que "Ginzburg era contraditório por ser contra a ficção na história e escrever como um romancista", quero que alguém me mostre em qualquer livro, pelo menos dos publicados em português, em que algum momento Ginzburg se diz contra a ficção. Muito pelo contrário, consigo detectar vários trechos, inclusive em Um desafio de Sthendal aos historiadores, publicado no Fio e os Rastros: verdadeiro, falso, fictício, nos quais Ginzburg, inclusive, diz que o discurso direto livre, técnica dos romancistas, tem ajudado os historiadores de modo que eles nem imaginam e que Sthendal, enquanto ficcionista, fez o que muitos historiadores irão tentar a vida toda e não irão conseguir realizar: uma crõnica de costumes. Há muitos e muitos trechos, sobretudo também em Mitos, emblemas, sinais: morfologia e história que se referem as contribuições da teoria literária e das artes para o ofício do historiador.
3. A questão é que Ginzburg parte de uma premissa de que a retórica, na historiografia, não é incompatível com a noção de prova. Isso com base em uma tradição que remete a Aristóteles na Grécia Antiga. Falando em Grécia Antiga, me lembro da metáfora do doce usada por Sócrates para refutar os céticos: se colocam duas taças de doce em uma mesa, ambas taças com doce mesmo e dois sujeitos provam as taças. Se um disser que o doce está doce e outro disser que o doce está salgado, esse precisa ir se tratar.
4. Outra coisa delicada presente na fala do professor: se ele abriu sua palavra dizendo que as verdades nas ciências humanas eram falsas, meros discursos, com base no Nietzsche, para o qual a verdade é um batalhão móvel de metáforas, metonímias e antropomorfismos, já estava estabelecendo seu estatuto de verdade. Então, tudo que ele falou sobre ciências humanas e Ginzburg foram mentiras e se ele disser que são verdades, tá se contradizendo.
Bom, vou articular essas críticas de modo mais sistemático em um artigo, para o ano que vem, que por hora, penso em intitulá-lo: Equívocos e limites da arte de inventar o passado. Agora, penso em desfrutar das férias com a famosa tríade que vem movimentando e alegrando gerações e gerações. De olho também no Rio... para as férias de meio de ano, de 2009, segundo o carioca londrino JC, não sei se é porque estava bêbado, mas disse-me que caso eu vá, tem um barraco para se tomar umas há 500 metros da praia, no litoral sul do Rio: sem favelas, neuras e essas coisas todas, embora eu tenha que ficar uma semana perto da Av. Central, metendo a cara em papéis velhos. No fim, só posso concluir: é bom ter amigos e melhor ainda, ter escolhido ser historiador, pois cada dia que passa, fora as crises existenciais (eheheheeh), vejo que essa profissão me realiza e já começa a possibilitar ótimos momentos!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Campina Grande as vésperas do 2o. turno...

É incrivel como o sociólogo Georges Balandier está com toda razão quando evoca o cárater teatral, na obra "O poder em cena", das manifestações políticas das sociedades ocidentais. Campina Grande, a província que tem aspirações metropolitanas, em muito incorpora, nos dias que antecedem, e mais ainda, na data das eleições, essa carnavalização grotesca e bizarra que visa a preservar ou derrubar um governo existente.
No cotidiano da cidade, são apresentadas diante dos olhos daqueles que tem um pouco de bom senso, um espetáculo do absurdo, que vai desde a compra descadarada de votos, o envolvimento das forças policiais que estão agindo em nome do Governo como verdadeiros cabos eleitorais (essa semana, um escandâlo implodiu: um ambulante que tocava em seu som uma música provocativa cuja letra possui trechos assim: "Lá vem o gordo barrigudo embolando pelo chão/ com Cássio Cunha Lima com o chicote na mão"... chegou as vias de ser preso pela PM, por causa da manifestação e poderia ter sido, se a população que estava na hora do incidente, não tivesse se revoltado contra a truculência dos PMs e impedido o abuso de autoridade).. falo particularmente nesse absurdo porque, se fosse por isso, quero que meu vizinho, que possui um lava-jato aqui na Liberdade, também seja preso, pois nos finais de semana incomoda toda a vizinhança, com um som altíssimo, tocando uma música com o seguinte jargão: "Lá vem o cabeludo correndo da multidão/ pega essa ladrão, esse enrolão"... sei não, a "letra" é nesse tom... tão provocativa quanto a que chama Rõmulo Gouveia, o gordo, de mulher submissa... portanto, prendam logo num estádio toda a populaçáo de Campina Grande que escuta essas duas porcarias e as usam para acirrar os ânimos entre os que estão com o atual prefeito, Veneziano, o cabeludo, que possui a acessoria mais arrogante do mundo, formada por meia dúzia de egos presunçosos da universidade, e os que querem ceder o poder aos coroneizinhos da oligarquia Cunha Lima novamente.
Pois é, a mentalidade dos campinenses é meio confusa... se por hora, a maioria celebra um viaduto construido na cidade que não serve para absolutamente nada... que só serviu para encher os bolsos de dinheiro público do seu realizador, criticam o sistema de integração de ònibus feito pelo prefeito, que é uma verdadeira revolução na cidade, pois até onde eu saiba, a administração dos Cunha Lima, apadrinhada por empresários da rede de transporte coletivo, só se preocupou em aumentar passagens, nunca em facilitar a vida dos usuários do transporte público. Em João Pessoa, Ricardo Coutinho realizou esse projeto de forma magistral e é notável como ganhou a adesão da população, que com certeza é menos encabestrada.
Não digo aqui que o prefeito seja um santo, apesar de aparecer no programa eleitoral com a música de fundo sendo idêntica a da "Paixão de Cristo". Faltou esquecer um pouco aquela palhaçada que os evangélicos estão fazendo aqui nos dias de carnaval, a "Consciência Cristã", para atacarem os frequentadores do "Encontro da Nova Consciência" e ver mais esse lado alternativo da cidade, que necessita de investimentos também.
Fico por aqui, a minha opinião é que, qualquer um sabe, que estruturalmente, Campina Grande melhorou e em muito nesses quatro anos. Mas esse continuismo da mentalidade que prevaleceu na funesta ditadura militar, na qual só se investiam em obras faraônicas, não é suficiente para resolver o que temos de mazelas em termos sociais. Como já disse, aqui o que motiva as pessoas a efetuarem prisões, a brigarem nas ruas, a se provocarem e a praticarem toda uma sorte de hostlidades umas as outras em tempos de pleito político é mais interesses pessoais do que qualquer ideal democrático...
Para mim, álias, o mais rídiculo de tudo é ver um cientista político dando entrevista aqui, vomitando uma série de dados estatísticos, se achando o próprio gurú da racionalidade científica: a mãe diná das porcentagens: "fulano de tal tem 50% de chances de perder, cicrano, com 40% de eleitores, não é democrático, blá, blá, blá...". Enquanto isso, pelo menos, na historiografia, há mais de 3 décadas que já se percebeu que a abordagem serial e quantitativa, estruturalista, não resolve ou não ajuda muito a solucionar os problemas das disciplinas que giram em torno das humanidades. Enfim, por favor, que chegue e acabe logo de uma vez o 26 de outubro, porque paciência tem limite...

Escolham aí: o candidato das melenas sedosas...


... ou o candidato da Vila do Chaves, Sr. Barriga:

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O cotidiano de um mesário nas eleições municipais campinenses


Saudações! Segunda-feira... Um dia depois dessa grande palhaçada que são as eleições brasileiras veio-me o repente de escrever algo sobre minha primeira experiência enquanto mesário, especificamente presidente de sessão. O 5 de outubro começou pra mim as 05:40 hs. Acordei, tomei um banho quente e resolvi ir até a feira popular que fica aqui perto do apartamento que moro comer algo. Cheguei para a moça de flácidas dimensões que vende comida em um quiosque na feira e pedi algo que para mim já é considerado uma refeição matinal e tanto: cuzcuz com carne moída com um copo de café. Nesse interim, chega um cara e senta do meu lado com bigode grande, chapéu de cowboy, botinas surradas e pede, como café da manhã, um prato de cuzcuz com mocotó de boi, ou seja, cuzcuz com a musculatura da perna do boi cozida: uma comida conhecida por "levantar até defunto" e uma dose de whiskey. Prontamente a moça lhe informou que nesse dia não poderia vender bebidas alcóolicas, mas mesmo assim ele não quis substituir a bebida pelo café: comeu tudo secamente mesmo.
Agora era hora de me dirigir até a sessão eleitoral que fui gentilmente convocado para trabalhar. Segundo a port(c)aria judicial que chegou até minha pessoa "o faltoso a reunião incorrerá nas penas do art. 347 do Código Eleitoral (Crime de Desobediência). Pena: detenção de 03 meses a 01 ano e pagamento de 10 a 20 dias de multa". Ainda se fala em democracia brasileira... Realmente, se qui existisse alguma forma mínima de democracia, a designação dos mesários seria feita de forma voluntária, não por meio de decretos terroristas e autoritários. Na entrada do colégio estadual de Campina Grande chamado Félix Araújo, nome de um prefeito que foi assassinado por um puxa-saco dos Cunha Lima, que álias, já é uma prática comum deles atirarem em seus desafetos, fiscais da oligarquia Cunha Lima e da Maranhista tumultuavam a entrada e enfrentavam aos berros um policial militar. Não quero saber... dei umas cotoveladas em uma côroa de amarelo que estava se acabando na minha frente e um chega pra lá em um cara de gravata vermelha e passei pelo policial.
Entrei na sessão com o material da eleição. Bem, uma das fiscais foi uma aluna que tive quando lecionava em uma escola pública da cidade, experiência que consistiu em uma das minhas grandes decepções educacionais... Chamei os outros mesários para lhes dar 15 reais a cada um: trata-se da generosa quantia que o TRE cede para quem trabalha (é explorado) pela justiça eleitoral. O secretário de sessão, que regula o fluxo de entrada de pessoas na sessão, era especialmente patético. De blusão de time de futebol americano, boné de grife e óculos rayban e tênis de jogador de basquete, parecia uma vitrine de uma loja vagabunda. "Diabos, hoje o dia vai ser longo..." pensei. Na lista de presença de mesários, tinha a pergunta: "deseja trabalhar novamente?". Caso a resposta fosse "não", tinha de justificar. Coloquei que "não", é claro, na hora de justificar, pensei em colocar: "não acredito na democracia brasileira, acho tudo uma palhaçada e não quero contribuir para que, nesse circo de horrores, os ricos fiquem cada vez mais ricos e os pobres mais pobres"... dar uma de Lima Barreto. Mas não fui tão espirituoso. Coloquei que no dia das eleições queria ficar livre... livre para nem ir votar, quanto mais trabalhar...
08:00 horas: começa o fluxo de pessoas na sessão e o serviço é simples: trata-se de digitar o número do título das pessoas e liberar a urna eletrônica para elas votarem. De vez em quando apareciam umas figuras folclóricas dado o ar da graça, completando toda a palhaçada. Um cara de uns 40 anos com uma senhora veio votar. Visivelmente tratava-se de alguém com problemas mentais. Ele não conseguia finalizar o voto e aí a velha esbravejava contra ele, do meu lado: "aperta o 15, idiota! o 15!". Antes que ela batesse nele, eu disse: "senhora, é proibida qualquer manifestação partidária nessa sessão"... é cada situação que colocam a gente, em nome de abstrações e de discursos esvaziados...
O freak show continuou das 08:00 até as 17:00 horas. Quando finalizou tudo, a urna vomitou os boletins com os resultados. não via a hora de entregar tudo a um oficial de justiça que estava presente no local e ir pra cara. Nas ruas, senti saudade da tranquilidade da escola. Os dois lados que disputavam o poder comemoravam. Em Campina GRande, tudo é motivo para carnaval, embora não seja o RIo de JAneiro. Pessoas enroladas em bandeiras amarelas e vermelhas pulando e em torno de carros equipados com sons monumentais tocando músicas provocativas. De uma hora para outra, a cidade me lembrou um pouco do ambiente propício as barricadas parisienses... tensões sociais por todos os lados. MAs esse pessoal só consegue criar situações assim quando benefícios e interesses pessoais são ameaçados. Não via a hora de chegar em minha casa, ligar o computador e terminar aquele dia exaustivo jogando ManHunt, um jogo no qual você é o protagonista de um reality show onde tem que matar uma série de desasjustados, entre punks, loucos, psicopatas, mexicanos, policiais etc. que te caçam pelas ruas para que um diretor faça uma serie de filmes snuff. Jogando ManHunt, na pele do psicopata Cash, pensei: "a pessoa que bolou essa trama e a equipe que conseguiu realizar esse jogo, com essa perfeição e todas essas mortes sórdidas, executadas com tacos, martelos, cacos de vidros, arames, armas etc. me faz ainda ter um pouco de fé na humanidade"...


Éis algo construtivo, na linha ManHUnt, que poderíamos
fazer com alguns políticos brasileiros.

terça-feira, 24 de junho de 2008

As pérolas de Ana Luísa Bartholomeu da UOL sobre o São João campinense


Bem, todo mundo sabe que não sou muito fã de Durval Muniz Albuquerque Jr. e seu pós-modernismo historiográfico, mas vez por outra, é inevitável cita-lo no que diz respeito ao seus estudos sobre "A invenção do Nordeste", livro que lança uma reflexão sobre os processos discursivos na política, nas artes e na literatura que construiram essa noção de um Nordeste atrasado, miserável e arcaico. Pois bem, é nesse sentido que lembrei desse livro, que hoje em dia é bem básico nas disciplinas sobre História Regional e Local dos cursos de História nordestinos ao ler as pérolas escritas sobre o São João em Campina Grande pela enviada da UOL Ana Luísa Bartholomeu.
Sendo bastante generoso com as colocações da réporter, podemos dizer que, por vezes, ela chega a perder o senso do rídiculo defendendo uma visão de Nordeste ainda tão atrasado, preso a imagens coloniais tão barrocas e arcaicas quanto os preconceitos e a exotização que infestaram tanto a sua cabecinha que ela ficou aparenta ter ficado muito decepcionada ao constatar que aqui em Campina Grande existe BMW, internet, shopping, favela, politicagem, etc. É claro que deve ser ponderado que sendo uma cidade com cerca de 400 mil habitantes, Campina Grande tem a dimensão que alguns bairros em São Paulo tem, mas que é uma cidade que tem destaque internacional, sobretudo, não só por essa festa megalomaníaca, que tem mais finalidades políticas do que propriamente preocupações com tradições culturais, mas por exportar softwares pro mundo todo e contar com cursos de graduação que não devem nada aos de cidades maiores, reebendo estudantes do Brasil todo em suas universidades.
Mas, sem mais delongas, vamos analisar algumas pérolas escritas pela ilustre visitante:

23/06/2008 - 09h20

Tradição perde espaço para a modernidade no 'São João' de Campina Grande (PB)

Ana Luisa Bartholomeu
Enviada especial do UOL
Em Campina Grande (PB)

O fato de "São João" está entre aspas já é uma provocação um tanto quanto de gosto duvidável, porque o que será que Ana Luísa entende por São João? Vamos procurar captar nas suas próprias palavras:

"O forró eletrônico é o estilo que mais toca nos alto-falantes. Pelas vielas do Parque do Povo (o coração da festa), espalham-se estandes de vendas de equipamentos eletrônicos e barracas promocionais de patrocinadores. No figurino dos freqüentadores, a ordem é esquecer o vestido xadrez e o chapéu de palha em casa. Meninas usam salto alto e fino, enquanto os garotos calçam tênis, jeans, camiseta e boné. A fogueira, símbolo maior das comemorações juninas, é grandiosa: tem 20 metros de altura. E seria mais se não fosse por um 'detalhe': é iluminada artificialmente." In:http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2008/06/23/ult5772u152.jhtm

Bom, realmente, a cronista que saiu do centro urbano, da grande metrópole, esperava chegar a longiqüa terra e encontrar os nativos todos a cárater no melhor do estilo Mazzaropi, todos caipirões convictos, de roupas xadrez, botinas, dentes podres e chapéu de palha, que não são esquecidos em casa... quem usa chapéu de palha são os agricultores situados na zona rural do Nordeste, que precisam executar seu labor debaixo de um sol causticante. Mulheres usam sapatos alto e fino, homens usam jeans e tudo mais... Só faltou ela também mencionar que as pessoas também esqueceram as latas de água que deveriam levar na cabeça em casa também. A única definição para essas cobranças de um regionalismo que tem coerência apenas na cabeça de Ana Luísa Bartholomeu é que são rídiculas. Quanto a fogueira... talvez na falta do que falar, resolveu mencionà-la... trata-se de um adereço simbólico... É, Ana Luísa, os nativos exóticos campinenses não seriam assim, tão jecas-tatus, a ponto de fazer, toda noite, uma fogueira real de 20 metros, onde estão concentradas milhares de pessoas... Seria algo tão estúpido quanto você esperar uma fogueira de verdade de 20 metros em um perímetro lotado de gente. Se quiser ver gente assando milho, soltando fogos em volta de um a fogueira, vá aos bairros onde as pessoas acendem pequenas fogueiras e se reunem em volta com a família. O contexto do Parque do Povo é outro...
Bom, procurem vocês mesmos ler os artigos de suma importância jornalística da eloquente culturalista Ana Luísa Bartholomeu... para ser sincero, ser jornalistas desse porte estão trabalhando em grandes empresas de informação, talvez o jeca-tatu aqui, que não anda de chapéu de palha ou roupa xadrez, tenha que enfatizar que as afirmações dessa réporter são totalmente estúpidas, idiotas e até escrotas. Um pouco mais de informação e de atualização seria pertinente para a moça. Afinal, só para encerrar o post enfatizando o anacronismo de suas pré-formulações sobre o que seja são joão em Campina, vale ressaltar que não estamos mais no Nordeste do século XVIII, não é?! Portanto, como diria E. P. Thompson, as tradições foram feitas para serem re-inventadas.




quarta-feira, 4 de junho de 2008

Sobre anônimos e o anonimato


Bom, devo frisar bem antes de minha argumentação é que o que mais gosto de fazer com uma "crítica" é respondê-la. Afinal, tudo continua sendo balela ainda... Para começar, deveria ser eliminado este escudo de toda patifaria literária chamado anonimato. Nas revistas literárias ele foi introduzido com o pretexto de proteger os boçais críticos, os vigias do público, contra a ira dos autores e de seus protetores. Só que, a cada vez que se apresentar um caso desse tipo, houve centenas de outros em que o anonimato serviu apenas para tirar toda a responsabilidade daquele, nesse caso, daquela, que não pode defender o que afirma, ou até mesmo para ocultar a vergonha de uma pessoa que é suficientemente corrupta e indigna a ponto de precisar falar de modo velado. Muitas vezes, e acredito que principalmente nesse caso, o anonimato serve apenas para camuflar a obscuridade, a insignificância e a incompetência da crítica. É incrível o descaramento de certos tipos que não recuam diante do rídiculo quando estão em segurança, nas sombras do anonimato.
Vamos lá: velhaca diga seu nome! Pois atacar encapuzada e disfarçada as pessoas que passeiam mostrando seus rostos não é algo que uma pessoa ética faça. Frisando bem: apenas patifes e canalhas agem assim. (Probatum est - está provado).
Rousseau já disse, no prefácio para o ro mance Nova Heloísa: "tout homme doit avouer les livres qu´il public", ou seja, todo homem honesto deve assinar os livros que publica. A afirmação vale mais ainda para opiniões polêmicas. Nesse caso, um adversário que mostra sua cara abertamente é uma pessoa honrada, moderada, com a qual seria possível até um relativo entendimento ou um acordo; em compensação, uma adversária escondida é uma patife covarde, que não tem a coragem de assumir seus julgamentos, portanto alguém que não defende sua opinião, mas se interessa apenas em descarregar sua ira sem ser reconhecida, ou sofrer retaliações. Afinal, seria tolerável se uma pessoa mascarada provocasse o povo, ou quisesse discursar diante de uma multidão? E nesse caso, atacando e cobrindo os escritos de outra pessoa de censuras? Será que seus passos em direção a porta dos fundos não seriam pertinentimente apressados por alguns justos pontapés no seu traseiro?
Um "crítico" anônimo é um sujeito que usa da estratégia execrável de atacar escritos de outra pessoa que não escreveu anonimamente. É simplesmente uma pessoa que não quer assumir o que diz ou o que deixa de dizer ao mundo acerca dos outros e seus trabalhos, por isso não assina. Todas as falas anônimas são suspeitas e carregadas de falsidade e hipocrisia. Nesse caso, o anonimato não é a fortaleza segura de toda patifaria pseudo-literária e pseudo-intelectual? De minha parte, prefiro estar bêbado e sequelado em uma casa de jogos ou de um bar medíocre a andar por aí dando uma de crítico anônimo.

terça-feira, 11 de março de 2008

A tia não gosta de punks


Caminhando pela universidade me deparo com um cartaz colado na parede de um dos halls da instituição com os avisos de uma mostra de vídeos sobre a questão judaica-palestina, uma oficina de comida vegetariana e de um show, ou no dizer dos punks, uma gig, de algumas bandas locais aqui em Campina Grande, no último domingo, dia 09 de março. "Parece interessante", pensei em relação a gig, que no caso, foi o que mais me chamou a atenção.
Acabei entrando em contato com vários amigos e convidando-os a comparecerem também ao evento, já que seria uma boa oportunidade pra tomarmos algumas cervejas, darmos umas risadas e escutar alguma coisa pesada. No dia da gig, antes de ir pro evento, resolvo dar uma conferida no orkut e tem lá o aviso de Rafael, punk daqui, falando que o show não seria mais no antigo cercado, um bar que reunia o público mais ou menos arrojado da cidade que se identificava através das tribos que estavam integrando e sim, no BAR DA TIA, um boteco de primeiro andar situado próximo ao "cercado", mas sem nehuma tradição alternativa. se é que podemos dizer que em Campina Grande existe alguma.
Acabou que no dia não apareceu ninguém que eu tinha chamado e eu nem sei como, mas convenci minha namorada de ir comigo, logo ela que não é muito chegada nessas tendências mais radicais de música. Lá estava tocando a C.U.S.P.E, banda anarquista levada a frente pelo professor de Antropologia da UFCG, Rogério Zeferino. Letras bem políticas, direcionadas para um ideário libertário, no sentido político do termo. O som é hardcore, com alguns riffs mais lentos, alternados, as vezes. A banda não tem ouvintes somente entre punks, raw punks, hardcore punks, anarco punks, queer punks ou sei lá mais que porra queiram denominar de punk por aí. Alguns headbangers davam uma conferida no som. Em seguida, a banda Aero Venena começou a tocar... foi nesse interim que, ao ir deixar minha namorada no ponto de ônibus, quando voltei, depois de uns 30 minutos, me deparo com o local do show esvaziado e se no andar de cima do bar antes tocavam punks, dessa vez tocava um grupo de pagode formado por típicos campinenses embriagados após um jogo de futebol local. "A rotatividade de estilos por aqui anda alta", pensei; Depois fiquei sabendo que a dona do bar, a tia, ordenou que parassem toda aquela barulheira, que ninguém estava consumindo bebida do bar e, portanto, não tinha motivos para suportar toda aquela afronta que eram os punks com seus moicanos, rebites e pileques. Bom, isso é verdade... geralmente, punks não tem dinheiro pra tomar cerveja a 2,50 em um bar. Que seja... Afinal, a tia não curtiu o som, não virou anarquista e muito menos abriu mão de seu pagode dominical. Creio que temos muito a refletir sobre isso.


P.s.: Se o rapaz de baixo estivesse no show, talvez a tia pensasse duas vezes antes de acabar com a festa, eu acho.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Fim de mais um ano...


Pois é, amiguinhos (as)... Chegamos a mais um fim de ano. è díficil não reproduzir os discursos de práxe que todos nós estamos acostumados a escutar durante esse período: "Feliz natal pra lá, feliz ano novo pra cá" por todos os lados. As pessoas parecem andar nas ruas mais despreocupadas e com um seblante mais tranquilo, parando para admirar as vitrines das lojas cheias de floquetes de neve e temas polares, apesar desse período ser um dos mais quentes na região. Enfim, tudo isso transmite uma aura de muita paz espiritual para as pessoas que estão inseridas nesse mundo social tecnocrático que vivemos.
No mais, foi um 2007 maravilhoso para mim, repleto de conquistas, de momentos inesquecíveis... Gostaria de pontuar alguns, como numa espécie de memorial, inclusive, que estão já detalhados aqui, nos posts anteriores do blog: o show da Forgotten Boys em e da Matanza em João Pessoa, o último show da Motherhell e Dr. Sin e Zé do Caixão em Campina Grande. Enfrentei o processo seletivo do mestrado em História da UFCG e após saber do resultado por telefone, preparei a comemoração aqui em casa, regada a whiskey, conhaque e cerveja, afinal, passei em segundo lugar na seleção que se inscreveram 95 pessoas pra 15 vagas.
Natal não estarei em nenhuma paisagem com neve, infelizmente. Mas creio que será divertido, mesmo assim, afinal, estarei cercado por pessoas que tenho em grande estima. Fico por aqui, ansioso por 2008, esperando que os desfechos do ano novo me sejam favoráveis tanto quanto foram os de 2007. Sem nostalgia ou arrempendimentos, apenas repleto de conquistas.

"Feliz natal e próspero ano novo", pra não escapar dos clichês! (Pelo menos, o papai noel "hell angel" é mais transgressor que os habituais).

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Justiça, antes tarde do que nunca? Nunca mesmo...


Bom, teria de reportar nesse blog um fato que me aconteceu ontém pela manhã. Mas para contextualizar a história toda, voltemos ao começo dela:

Depois de esperar praticamente 1 ano pela minha carteira de estudante, isso mesmo, aquele cartãozinho rídiculo que todo mundo fica mais feio do que já é nas fotos, que serve pra gente comprar passes estudantis para pagar meia passagem nos ônibus e também economizar a grana da cerveja nos shows e cinemas da vida, eu resolvi entrar com uma ação na justiça, processando o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) aqui em Campina Grande.

Na verdade, toda essa balela de lutar pelos estudantes, camisa de Che Guevara, discursozinhos inflamados, etc. etc. apenas servem para ocultar um pouco, pelo menos para os mais ingênuos ou desavisados, todo um jogo de interesses pessoais, arrivistas, que os barbichinhas e as pós-hippies alimentam nos bastidores. A começar que, quando começei a dar seguidas e seguidas viagens do CEDUC I onde funciona meu curso (História) para o CEDUC II, onde fica localizado a sede do DCE onde antes era uma antiga cantina, a pé, caminhado nada mais que 25 minutos sob o sol extremamente confortante do Nordeste, para saber alguma informação do paradeiro dessa carteira, sempre era recebido com as mesmas desculpas esfarrapadas: "Ainda não chegou", "processe o SITRANS (Sindicato dos TRansportes), a culpa é deles", etc. etc. Bom, que eu saiba a grana da carteira foi depositada na conta corrente do DCE, não do SITRANS.

Embora, o próprio Caio Fernandes, um dos cabeças (e bota cabeça nisso) dessa gestão do DCE, chamada Locomotiva, que alegou que o DCE apenas repassa a grana das carteiras de estudante para a gráfica e o SITRANS e depois, no decorrer da confecção das mesmas, apenas as recebe prontas para repassá-las aos estudantes, esqueceu de mencionar que seu irmão, o Fernando Fernandes, é o dono da gráfica onde o designe da carteira é feito... Hummm, tudo fica em família héim?! Se ao menos, dessem esses trambiques direito, ficassem com a grana, pra tomar uísque e Sminorff nas calouradas, como sempre acontece, as custas desse dinheiro, e há quem já alugou e mobiliou até apartamentos com esses cachêzinhos, mas repassassem as carteiras dentro dos prazos para mim e outras pessoas, que ficaram sem as carteiras, reles mortais, sem vínculos familiares com gráficas ou sindicatos.

Em suma, entrei com uma ação na justiça comum, depois de muita burocracia, de esperar uma manhã e uma tarde inteira para ser atendido, de ficar enojado com a prepotência de um capitãozinho qualquer da polícia que ficava recebendo as pessoas enquanto os funcionários do Procon almoçavam, mas consegui sobreviver ao espetáculo de horrores da burocracia brasileira. Foi marcada uma audiência para uns 25 dias depois. No dia, nova mostra de compromisso do DCE: apenas eu compareci a audiência, eles nem assinaram a intimição que é entregue pelos Correios. Fui recebido por uma bacharel em direito que falou que após escutar toda essa ladainha, disse-me que iria mandar um oficial de justiça para intimar o DCE, ao invés de um carteiro... dá quase no mesmo...

Nova audiência foi marcada, para o dia 03 do novembro, as 11:20. Acontece que me atrasei 10 minutos, chegando lá as 11:30 hs. Um oficial (mais uma vez) fala que como me atrasei o juiz de plantão extinguiu o processo... logo eu, que queria comprar até uma moto com uma possível indenização... isso foi brutal. Cheguei a conclusão que agora descobri o verdadeiro significado de um dos grandes lemas jurídicos: "a justiça tarda, mas não falha"... bom, a justiça pode tardar, mas nós, não, né? quanto a questão da falha, essa é mais evidente: antes de falhar, ela extingue os processos, eliminando a causa.

No mais isso, fiquei sem minha carteira de estudante de 2007 e sem indenização por danos morais, o DCE continua com suas gráficas, uísques, smirnoffs, apartamentos etc. ludibriando algumas centenas de estudantes que ainda se iludem com esse discurso de movimento estudantil, mas pelo menos, aproveitem pra destinar uma verbazinha pra comprar óleo de linhaça com os 8 reais da minha carteira que não veio pra lustrar essa cara de pau de vocês.